terça-feira, 28 de julho de 2015

INFIDELIDADE

            As relações humanas são esquisitas, temerárias para muitas pessoas. Na maioria das vezes a angústia e as dúvidas fazem parte do viver, principalmente nas relações afetivas com o outro. Toda relação passa por fases e em cada uma delas, os desafios para manter a chama dos sentimentos, as cumplicidades do cotidiano e a proteção da individualidade de cada um, exigem paciência e desprendimento do ego.
            A segurança afetiva transforma o relacionamento em templo sagrado dos parceiros, protegido com afeto e lealdade. Como na vida a perfeição é rara, parte dos relacionamentos tem seus templos sagrados violados pela infidelidade, que gera ao outro perda de confiança, angústia, sofrimento interior causado pela busca das razões e ponderações dos motivos da quebra da segurança.
            A verdade é que a infidelidade não tem motivo justificável a ser encontrado na vítima e sim é um agir do infiel, que em determinado momento estando em conflito dentro de si, enfrentando desconfiança na sua capacidade de preservar o seu templo sagrado de segurança afetiva opta por fugir e negligenciar a manutenção de uma vida sem rupturas emocionais.
            Assim, nas relações humanas a infidelidade é um fenômeno conhecido e que causa danos aos conceitos e princípios da existência das pessoas. O ser infiel atinge a imagem que cada um tem sobre si mesmo, sendo que tal manifestação desleal é vivida na intimidade, mas é marcante entre relações sócias baseadas na manutenção de status quo, nos políticos em suas atitudes e condutas desonestas e corruptas.
            A dor da infidelidade direciona os indivíduos ao individualismo, desapego e desconfiança no outro, nos grupos sociais, na organização social e política. Por outro lado, muitas pessoas fazem da infidelidade vivida, um refresco para saciar a sede de valorização pessoal, e descobrem que nem todas as relações são pérfidas, sempre há indivíduos buscando construir e proteger seus templos sagrados.


            Rosicler Fátima Tomaz Pereira Schäfer

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