quarta-feira, 26 de agosto de 2015

POESIA: AMOR

AMOR

         Todo o poeta ama, sofre as armadilhas
        da noite, o pânico e o terror da solidão.
        A dúvida de quem ama é ser ou não amado.
        Dizem que os deuses em vida  amam,
        sem nada pedir em troca. Será que os
        poetas são como esses deuses?
        A carne é humana, mas e a alma?
        Cigarro, uísque, solidão companheira.
        E o amor? Esconde-se nos trilhos da
        vida, nos perfis online?
        Quando se ama o desejo de posse
        é o xis, a liberdade dá medo.
        O tempo parece eterno, mutila a alma,
        assombra a razão. No ato do amor,
       a identidade é apenas o medo de ficar só.
       O poeta Drummond disse:
       “Quero que me digas, de cinco em cinco
       minutos, que me mas, do contrário
       evapora-se a amação [...]”
       E o amor morre assim: com o tempo que se
       perde, sem dizer aquilo que o outro quer ouvir:
       EU TE AMO.


            Rosicler Fátima Tomaz Pereira Schäfer
 

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